Site Oficial de GILBERTO SALVADOR




O artista Cronologia visual Curriculum E-mail Exposições Obras diversas Links

EXPOSIÇÕES
1976 1981 1982 1985 1986 1987 1988 1989 1991 1995 1996 1998 1999
2000 2001


1999

O VÔO DE XANGÔ
ESCULTURA

exposição realizada na
Metrô - Estação Jardim São Paulo
São Paulo - SP



"VÔO DE XANGÔ"
aço, estrutura metálica com pintura epóxi
8,00m x 20,0m x 4,0m














texto
O VÔO DE GILBERTO SALVADOR
por Jacob Klintowitz



Ali está ela, alada, soberana, os longos braços abertos, no momento mesmo em que apropria-se do espaço e afirma o seu direito ao céu e o seu reinado na terra.


A escultura de 20 metros de largura e 8 metros de altura equilibra-se sobre o globo e é, talvez, esta contradição e este diálogo, as linhas retas, síntese visual de asas idealizadas, apoiadas na esfericidade do globo, o que a torna impactante no primeiro contato.


A clara sensação de poder que esta forma alada transmite convive com a percepção de fragilidade que a alta tecnologia costuma ter. Por este ângulo, um computador parece mais frágil do que uma enxada, independente do poder que cada uma dessas formas utilitárias pode gerar. No caso desta forma artística, deduz-se que sua tecnologia é múltipla e que ela funda-se, antes de mais nada, no conhecimento dos materiais e no delicado cálculo da justaposição dos elementos.


A escultura de Gilberto Salvador apresenta-se imediatamente como um produto atual que utiliza as possibilidades da indústria metalúrgica, da engenharia e do urbanismo. É uma escultura que dialoga com o sistema metroviário de São Paulo, conhecido por sua qualidade técnica e administrativa. A forma artística, uma escultura de Gilberto Salvador, em comunicação com a forma utilitária da estação e com o movimento cinético crônico dos trens. O que diferencia uma da outra, a forma artística e a utilitária, é a carga de inovação semântica da escultura.


Além deste diálogo tecnológico entre a arte e o Metrô de São Paulo, o artista opõe a metáfora do vôo, constante em toda a sua obra, ao transporte terrestre. O diálogo de afins, seguido da contraposição entre antípodas. Uma vez aceita as premissas básicas da época, a tecnologia, a reflexão sobre a natureza dos opostos, estatístico-movimento; terrestre-aéreo; realidade-sonho; funcionalidade-arte. O assunto "vôo" determina a estrutura da escultura e o seu projeto prospectivo, o seu compromisso com o futuro. Este tema reincidente no percurso do artista, a idéia do pássaro em vôo, traçou não só a rota mágica do corpo no espaço, mas inventou um roteiro para Gilberto Salvador que desenvolveu esta temática como um discurso sobre a ecologia e a ética.


O título da obra, "Vôo de Xangô" , cuida de duas questões essenciais. A primeira, é óbvio, recoloca a questão da formação do Brasil e a permanência vital e concomitante de várias nações. É esta convivência que confere ao Brasil uma experiência democrática rara, pois ela se dá sem a formação de guetos, lutas étnicas e com o exercício do inter-relacionamento fraterno. O desejo de uma só nação, um só país, é ideologia totalitária que produziu e ainda produz as mais insensatas tragédias. A obra de Gilberto Salvador é um símbolo da paz.


A segunda questão é pessoal, pois o artista utiliza o panthéon dos deuses africanos para considerar o vigor do arquétipo e afirmar as suas afinidades eletivas. Xangô é Rei, filho de Iemanjá e Oranhiá, segundo uns, ou filho de Oxalá, segundo outra corrente, é Deus do Fogo, Deus do Trovão. Gilberto Salvador, artista criador, identifica-se com o Senhor do fogo, o grande transformador.


A saudação de Xangô: "Kauô Kabiccile." Venham ver o Rei descer sobre a terra!

Jacob Klintowitz
nov.1999


1998-2005
GILBERTO SALVADOR










criação



BRASIL
© 1998-2005, JIG