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"A história mais recente deste, nos coloca diante de dois fatos: a imagem de um animal em velocidade, imagem congelada e fotográfica, em confronto direto com signos de origem oriental. O figurativo diante da abstração gestual. Em sua nova fase, Gilberto Salvador, trabalha com objetos em fiberglass, á maneira das pranchas de surf. Um papel industrializado é prensado, logo após ter sido trabalhado com o gesto gráfico do artista.
Não há mais a imagem figurativa de tempos atrás, restando apenas o gesto signográfico e o respingar da tinta de outrora. A cor é gráfica e o fundo se confunde, se integra à obra. Os objetos desta mostra nos oferecem uma gama de reflexões sobre a crise formal por que passam as artes visuais no mundo. Gilberto Salvador, sempre teve uma pintura emocional. O grafismo sempre foi sua mola mestra. Os objetos atuais seguem uma trilha há muito estudada e resolvida. Apenas o material é novo. A simbologia de Gilberto Salvador 'e energética. Quer o artista coagular o instante, o tempo emotivo, sensitivo e sensual. Sua estrutura é criada a partir do momento, nada é estudado, racionalizado. Tudo é intuitivo. Sua obra, nesse momento, não possui uma definição; não é só pintura, não é só desenho tradicional foi substituído pelo gesto inovador, simbólico. Seus signos buscam significados, a partir de significantes intuitivos. A superfície do objeto bidimensional, mas não se pode defini-lo como um quadro.
Conhecedor da química e de processos industriais, Gilberto Salvador lança-se em um novo universo de signos, de composição imprevisível, mas denotando ao fruidor que há muitos caminhos a serem percorridos pelo fenômeno da criação artística. Gilberto resolve problemas plásticos, mas ao mesmo tempo deixa no ar perguntas ao observador. Seus objetos cavernas do inconsciente."
O gesto é sua libertação, sua catarse, sua maneira de ser.Gilberto Salvador busca mostrar nos o Ser e o Outro, aquele invisível que nos habita em segredo e com o qual lutamos a vida toda.
Alberto Beuttemüller
Agosto/1989
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